Policial que atirou em bandido para evitar assalto é punido em São Paulo

O deputado Major Olímpio, líder do PDT na Assembleia Legislativa de São Paulo, afirmou em pronunciamento no plenário da Casa que o Capitão Antônio Bernardo foi punido pelo Governo do Estado de São Paulo por ter evitado um assalto atirando em um bandido durante o ato criminoso no último sábado, 12, em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo. O deputado disse que o Capitão já se encontra recolhido de “castigo” e ficará seis meses afastado.
“Ele está recolhido na administração do Batalhão da Polícia Militar para ir para o Programa de Reabilitação. É uma geladeira, um castigo. Quero dizer ao Capitão Bernardo que ele tomou a atitude para o qual foi treinado. Não exorbitou no uso da força, mas o Governo que diz que aprova a polícia já o recolheu e já o colocou na geladeira. Ele vai ficar seis meses fora da atividade policial”, disse o Major Olímpio.
A ação foi gravada por uma câmera no capacete da vítima. No cruzamento das Avenidas Doutor Assis Ribeiro e Gabriela Mistral, as imagens mostram o assaltante, identificado como Leonardo Escarante Santos, 18, descer da garupa de uma Twister vermelha e apontar a arma para a vítima. O motociclista entrega o veículo e o alarme.
Quando Santos sobe na moto, o policial sai de um carro preto ao lado, aponta arma para o criminoso e dá voz de prisão, ao reagir colocando a mão na arma que estava na cintura, o bandido é alvejado com dois tiros. Enquanto o rapaz está caído, a vítima agradece ao policial. “Obrigado, obrigado. Vai roubar agora no inferno.” O rapaz baleado foi encaminhado ao Pronto-Socorro do Hospital Municipal do Tatuapé. Lá, passou por cirurgia e ficou internado sob escolta.
                  Leonardo Escarante Santos levou um tiro no abdômen e outro na perna ao tentar roubar moto em São Paulo
Mocinho ou Bandido?  
A ocorrência em si já teria força suficiente para gerar burburinho. Sendo acompanhada de imagens então, ganhou as proporções virais que a internet proporciona e imediatamente causou polêmica, com reações de aprovação e também contrárias à atuação do PM.
A ação é digna de um game nos moldes do GTA-5 e sonhada por muitos. O mundo perfeito: uma atuação da polícia “just in time”. O “perdeu playboy” seguido de um “vai roubar no inferno, maluco”.
Mas o PM agiu correta ou equivocadamente?
Tudo correu dentro do script que se espera de uma atitude de um policial: presenciou o assalto e realizou a abordagem. Não daria tempo de ordenar o fantasioso “mãos ao alto”. Essa rendição só acontece em filmes, o bandido atiraria e não havia outra saída a não ser disparar primeiro. Em nota, a corporação disse que o policial “demonstrou preparo e compromisso com a causa pública, defendendo a sociedade de criminosos violentos”. É sob esse aspecto que a maioria julgou correta a proatividade do PM e as reações possuem a mesma alegria e entusiasmo dos comentários futebolísticos da segunda-feira. O popular “bandido bom, é bandido morto” seguido de aplausos.
Virando o disco, não foram poucas as pessoas que sentiram-se também desconfortáveis com a realidade e a crueldade da violência.
O tipo de produto que estava sendo roubado indica o tipo de ladrão que protagonizava a cena. Ele não estava roubando comida, não estava roubando sabonete, ou remédios. Estava roubando uma motocicleta, uma moto bacana, aliás, que demonstra claramente o “tipo” de criminoso que é o jovem Leonardo Escarante Santos. Ele não estava roubando um livro, nada de primeira necessidade. Seu foco são bens de ostentação. Qual a defesa de um ato desses?
A ação pode ser avaliada como um tanto arriscada e talvez até desnecessária. O roubo já havia sido concluído, o bem já estava em poder do ladrão, foi entregue sem resistência e a vítima não corria mais nenhum tipo de risco. Era necessário atirar? No meio da rua? O veículo de trás do carro do policial era uma perua escolar! E se algo saísse errado? Não é a própria polícia que dissemina a escola do “não reaja”? Ou esta só vale para manter a população sob um clima de temor?
Perguntas como essas propagaram pela internet durante esta semana e resposta do governo foi dada través de punição.  

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